De acordo com Censo Escolar 2025, o crescimento foi registrado entre 2019 e 2025. Apesar do crescimento, o percentual permanece baixo e o fortalecimento da formação acompanhou a ampliação matrículas de alunos com deficiência
O Instituto Rodrigo Mendes (IRM) analisou os números apresentados no Censo Escolar 2025, divulgado recentemente pelo Instituto de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia do Ministério da Educação (MEC), e destaca um aspecto sobre a Educação Especial: a formação continuada de gestores (diretores) escolares de pelo menos 80 horas no tema.
Entre 2019 e 2025, o percentual de gestores que declararam possuir formação continuada no tema de pelo menos 80 horas passou de 5,8% para 11,3%. “Isso representa um crescimento de 94,8% no período”, diz Maria Laura Gomes, Coordenadora do Núcleo de Pesquisa do Instituto Rodrigo Mendes. Ela explica que, apesar do crescimento ao longo do período, o percentual permanece baixo. “O avanço observado indica ampliação gradual da oferta ou da adesão à formação, mas os níveis ainda estão distantes de assegurar que a maioria das escolas conte com equipes gestoras preparadas para lidar com as demandas da Educação Especial.” E mais: o dado indica que a ampliação das matrículas na modalidade não foi acompanhada, na mesma proporção, pelo fortalecimento da formação das equipes gestoras.
Maria Laura explica que a gestão escolar, na figura do diretor, é central para a organização de práticas inclusivas na escola, fundamental para apoiar professores de sala, coordenadores pedagógicos e profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE) no trabalho a ser realizado com estudantes com deficiência a favor da aprendizagem de qualidade de todos. “O diretor desempenha o papel de interlocutor da escola com a família e por isso é importante que se aprofunde no tema”, diz ela.
Ao observar o indicador de formação continuada de gestores em educação especial em relação aos demais temas relacionados a esse público, ele apresenta, ao longo de toda a série, percentuais mais elevados do que a maior parte dos outros, ficando atrás apenas da formação em gestão escolar (24,5%). Em 2025, por exemplo, 11,3% dos gestores indicaram possuir formação em Educação Especial, enquanto os percentuais observados em outras temáticas foram inferiores, como 3,1% em direitos de crianças e adolescentes, 3,0% em educação ambiental e educação do campo, 2,9% em cultura afro, 1,7% em direitos humanos, 1,5% em gênero e diversidade sexual e 0,7% em educação indígena.
A comparação entre os temas permite situar a educação especial entre os temas que aparecem com maior frequência no percurso formativo dos gestores do país.Considerando a distribuição por rede de ensino em 2025, o percentual de gestores com formação continuada em educação especial é mais elevado nas redes municipais (13,5%), valor acima da média nacional (11,3%). Nas demais redes, os percentuais são menores: 8,7% na rede privada, 7,2% na estadual e 2,0% na federal.
A distribuição territorial também revela variações entre regiões e unidades da federação. Em 2025, o percentual de gestores com formação continuada em educação especial é mais elevado no Sul (17,1%) e no Centro-Oeste (14,0%), enquanto Sudeste (10,6%), Nordeste (9,4%) e Norte (9,3%) apresentam valores abaixo da média nacional. Em relação aos estados, destacam-se Espírito Santo (25,3%), Paraná (22,0%), Distrito Federal (20,7%), Santa Catarina (18,5%) e Mato Grosso do Sul (18,3%), com percentuais superiores ao observado no país como um todo. Por outro lado, Amazonas (5,8%), Tocantins (6,6%), Paraíba (7,1%) e Pernambuco (7,3%) têm percentuais mais baixos, indicando heterogeneidade na presença dessa formação entre os gestores nos diferentes territórios.
Mais dados do Censo Escolar 2025 sobre Educação Especial
Matrículas – nos últimos 15 anos, a Educação Especial no Brasil cresceu de forma acelerada e passou por mudanças relevantes na composição das matrículas. Entre 2011 e 2025, as matrículas da Educação Especial cresceram de 752 mil para 2,46 milhões de estudantes. O crescimento foi de 227% no período, indicando que o número de matrículas mais que triplicou nos últimos 15 anos. O crescimento foi contínuo ao longo dos anos, com aceleração mais intensa a partir de 2019.
Classes comuns – no mesmo período, ampliou-se a proporção de estudantes atendidos em classes comuns, que passou de 74% em 2011 para 93% em 2025. Ou seja, o aumento das matrículas ocorreu majoritariamente em ambientes inclusivos, o que consolidou a sala de aula comum como espaço prioritário de escolarização do público da Educação Especial.
Especificidades – ao longo de 15 anos de dados analisados (2011–2025), observa-se uma mudança relevante na composição das matrículas da Educação Especial por tipo de especificidade. A comparação entre o início e o final do período evidencia uma reconfiguração expressiva no perfil do público atendido, com alterações significativas na participação relativa dos diferentes grupos.
Em 2011, a deficiência intelectual concentrava 63,5% das matrículas, configurando-se como o grupo predominante, enquanto o autismo representava 3,4% do total. Em 2025, esse cenário se altera: o autismo passa a responder por 52,8% das matrículas, tornando-se o grupo mais numeroso, enquanto a deficiência intelectual passa a representar 43,9%, mantendo ainda uma participação elevada no conjunto das matrículas.
Cabe destacar que um mesmo estudante pode ter mais de uma especificidade registrada no Censo Escolar, o que faz com que a soma das categorias ultrapasse 100%. Ainda assim, a tendência observada indica crescimento acentuado do autismo e uma redistribuição significativa na participação das demais especificidades.

Com 44 anos, Rafael Gmeiner é jornalista especialista em Produção de Conteúdo, especializado em Franquias, CEO da Agência VitalCom, do site Mundo das Franquias e do site Educação & Tendências. Atua há mais de 23 anos, com Jornalismo e Comunicação, tendo passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites. Também, é especialista em Assessoria de Imprensa, segmento em que já atua há quase duas décadas. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores. Há mais de 10 anos é especializado no setor de Franquias, no qual mantém o seu site de notícias. Além disso, é sócio de uma franqueadora. Entre os seus parceiros e clientes atuais estão a reconhecida jornalista Analice Nicolau; Mônica Lobenschuss, especialista em Growth Hacking, Estratégias de Negócios e Mídias digitais; e a rede de franquia Face Doctor. Rafael também já prestou serviços para o governo da Argentina, com ações específicas no Brasil.
