Obra construída a partir da escuta de mais de 250 crianças inspira discussões sobre desigualdade, infância e futuro
Um manifesto produzido por mais de 250 crianças e adolescentes do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, está sendo utilizado como ferramenta pedagógica para discutir direitos, desigualdade e formação cidadã em escolas pelo Brasil.
O livro Para Crescer e Ser Feliz (Caixote), das co-organizadoras Ananda Luz e Isabel Malzoni, usa uma linguagem poética e diversas ilustrações para traduzir desejos aparentemente simples, mas interrompidos em territórios onde há violência recorrente, como ter a mãe pertinho ou poder olhar pela janela.
No espaço ekoa, escola referência em educação integral, em São Paulo, o livro manifesto tem sido tema central de rodas de leitura, debates e intervenções visuais, com um mural de lambes, desde dezembro de 2025. A pergunta que mobiliza e orienta as discussões é “quais crianças têm direito de sonhar?”.
“A obra aproxima os alunos de realidades que muitas vezes estão distantes do cotidiano deles e contribui para o desenvolvimento da consciência crítica e social”, afirma Giovanna Pereira, bibliotecária e coordenadora do projeto no Ekoa. Após as ações, as conversas entre os estudantes avançaram para temas como racismo, trabalho infantil, desigualdade social, direito à infância e violência.
Leitura e reflexão crítica
Para se ter uma ideia, o Complexo da Maré, localizado na zona norte do Rio de Janeiro, reúne 16 favelas com características socioterritoriais distintas, mas marcadas pela violência armada. De acordo com o ‘Boletim Direito à Segurança Pública na Maré’, de 2016 a 2025, aconteceram 231 operações policiais, 160 mortes e 1.538 violências e violações de direitos de moradores.
Diante dessa realidade, o livro reúne, em formato poético, reivindicações feitas por crianças da região sobre o que consideram essencial para crescer com dignidade.
Segundo a autora Isabel Malzoni, o projeto surgiu a partir de um processo de escuta iniciado em outro livro, Eu Deveria Estar na Escola (Caixote), quando ficou evidente que as crianças queriam ampliar o debate.“Embora o tema das oficinas fosse segurança pública, as crianças não queriam falar só da violência, mas de futuro, de direitos e de vida”, afirma Isabel.
Para a escola, o trabalho com o manifesto reforça o papel da literatura como ferramenta de escuta e expressão. “Os livros geram conversas profundas e ajudam as crianças a elaborarem seus próprios sentimentos e visões de mundo”, afirma Giovanna. Segundo ela, o fato de a obra ter sido construída com a participação direta de crianças amplia o impacto e “mostra que toda criança pode ser autora da sua própria história”.
Para Isabel Malzoni, a linguagem artística se torna uma forte aliada da escola para gerar identificação entre crianças de realidades distintas. “Existe uma potência enorme em ver crianças falando sobre direitos. Quando uma escuta, ela se vê um pouca naquelas palavras da outra e se conecta. Assim, as crianças mostram que podem e devem ocupar esse espaço de reivindicação”, finaliza.
Com 44 anos, Rafael Gmeiner é jornalista especialista em Produção de Conteúdo, especializado em Franquias, CEO da Agência VitalCom, do site Mundo das Franquias e do site Educação & Tendências. Atua há mais de 23 anos, com Jornalismo e Comunicação, tendo passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites. Também, é especialista em Assessoria de Imprensa, segmento em que já atua há quase duas décadas. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores. Há mais de 10 anos é especializado no setor de Franquias, no qual mantém o seu site de notícias. Além disso, é sócio de uma franqueadora. Entre os seus parceiros e clientes atuais estão a reconhecida jornalista Analice Nicolau; Mônica Lobenschuss, especialista em Growth Hacking, Estratégias de Negócios e Mídias digitais; e a rede de franquia Face Doctor. Rafael também já prestou serviços para o governo da Argentina, com ações específicas no Brasil.

