Se o ritmo atual for mantido, grandes redes do estado não conseguirão atingir a meta nacional de alfabetização nos próximos cinco anos
O avanço da alfabetização infantil no estado de São Paulo corre em duas velocidades distintas, e o sinal de alerta está ligado para os grandes centros urbanos.
Um relatório recente desenvolvido pela Cátedra Sérgio Henrique Ferreira (do Instituto de Estudos Avançados da USP, polo Ribeirão Preto) aponta que as grandes cidades paulistas enfrentam barreiras severas para garantir que seus estudantes aprendam a ler e escrever na idade certa.
Os dados, obtidos por meio do cruzamento dos resultados do Saresp 2025 com o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) do Inep, revelam uma clara desigualdade: enquanto as pequenas cidades lideram os índices de sucesso, os grandes municípios patinam.
O funil das grandes redes
A meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE) determina que, em até cinco anos, todos os municípios brasileiros tenham, pelo menos, 80% das crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental.
No entanto, o estudo da USP mostra que as maiores redes de ensino do estado, que sozinhas concentram mais de 40% das matrículas nessa faixa etária, dificilmente alcançarão o objetivo se mantiverem o ritmo de crescimento atual.
Entre as 12 maiores cidades paulistas (com mais de 450 mil habitantes), apenas quatro conseguiram alfabetizar ao menos 60% dos alunos na idade certa em 2025:
| Município | Índice de Alfabetização na Idade Certa (2025) |
| Jundiaí | 76% |
| São José dos Campos | 68% |
| São Bernardo do Campo | 65% |
| Santo André | 60% |
As outras oito grandes redes avaliadas ficaram abaixo do nível 3 de proficiência calculado pelo Inep. Caso a média de crescimento registrada entre 2023 e 2025 se repita, apenas cinco das grandes redes chegarão à meta nos próximos cinco anos.
O contraste: o sucesso está no interior e nas pequenas cidades
Se por um lado os grandes centros enfrentam gargalos complexos, as cidades de pequeno e médio porte mostram um desempenho substancialmente superior.
Ao analisar o universo de municípios paulistas que já alcançaram a marca de 60% ou mais de alunos alfabetizados na idade certa, a distribuição revela onde o ensino tem avançado com mais consistência:
- Cidades com até 20 mil habitantes: representam quase 70% (299 municípios) do grupo de sucesso.
- Cidades entre 20 mil e 100 mil habitantes: representam 24% (106 municípios) do grupo.
Além disso, o estudo identificou que a região noroeste do estado de São Paulo concentra a maior quantidade de municípios no nível 5, o topo da escala de proficiência do indicador.
“Os dados estão indicando que as redes maiores parecem ter mais dificuldades para alfabetizar todas as crianças na idade certa. É preciso compreender os fatores que estão sendo mais desafiadores para esses municípios, como a transição da pré-escola para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, e implementar ações e programas condizentes com suas realidades”, ressalta Carlos Eduardo Rodrigues dos Santos, coordenador e responsável pelo estudo.
Tecnologia e Inteligência Artificial no diagnóstico
A precisão do levantamento foi viabilizada por uma nova ferramenta: um aplicativo baseado em Inteligência Artificial desenvolvido pela própria Cátedra da USP, com o apoio da Cátedra Instituto Ayrton Senna de inovação em avaliação educacional.
A plataforma online funciona por meio de visualização georreferenciada (mapeamento espacial) e permite que gestores públicos cruzem indicadores educacionais com dados sociodemográficos de seus municípios, tais como o PIB per capita e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
A ferramenta também calcula projeções automáticas baseadas no histórico de evolução de cada rede.
Como funciona a avaliação do ICA?
O Indicador Criança Alfabetizada, base do aplicativo, utiliza uma matriz nacional alinhada pelo Inep.
O teste aplicado aos alunos do 2º ano consiste em:
- 16 itens de múltipla escolha.
- 3 questões de resposta construída (incluindo uma produção textual).
Segundo as diretrizes do Ministério da Educação (MEC), o exame avalia habilidades fundamentais como leitura de palavras, frases e textos curtos, localização de informações explícitas e a capacidade de inferir sentidos em textos que misturam linguagem verbal e visual.
Foco no aprendizado colaborativo
Embora o cenário para as grandes cidades seja desafiador, a intenção do projeto não é apenas expor os problemas, mas sim criar pontes. Como os dados do ICA são recentes e ainda pouco explorados por pesquisadores, o aplicativo foi desenhado para atuar como um suporte prático de gestão.
A ideia é que os municípios consigam visualizar sua própria trajetória e, por meio da plataforma, identificar redes de ensino com perfis socioeconômicos similares, mas que apresentam desempenho superior, permitindo a troca de boas práticas e o aprendizado colaborativo.
Atualmente, o aplicativo já é utilizado em formações oferecidas pela Cátedra para redes parceiras. O próximo passo da equipe é expandir o banco de dados, inserindo os indicadores de todos os estados brasileiros ainda este ano.
Com 44 anos, Rafael Vivian Gmeiner é jornalista especialista em Produção de Conteúdo, especializado em Franquias, CEO da Agência VitalCom, do site Mundo das Franquias e do site Educação & Tendências. Atua há mais de 23 anos, com Jornalismo e Comunicação, tendo passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites. Também, é especialista em Assessoria de Imprensa, segmento em que já atua há quase duas décadas. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores. Há mais de 10 anos é especializado no setor de Franquias, no qual mantém o seu site de notícias. Além disso, é sócio de uma franqueadora. Entre os seus parceiros e clientes atuais estão a reconhecida jornalista Analice Nicolau; Mônica Lobenschuss, especialista em Growth Hacking, Estratégias de Negócios e Mídias digitais; e a rede de franquia Face Doctor. Rafael também já prestou serviços para o governo da Argentina, com ações específicas no Brasil.

