Em comunidades rurais da Amazônia, inclusão digital vira caminho para concurso público e universidade

Em comunidades rurais da Amazônia, inclusão digital vira caminho para concurso público e universidade

Rede Amazônia + Conectada atua em Juruti, no Pará, onde moradores relatam impacto da internet e da formação digital no acesso a trabalho, estudo e renda

Em 2025, quase um em cada cinco domicílios rurais brasileiros ainda não tinha acesso à internet, segundo a TIC Domicílios. Em Juruti, no oeste do Pará, o Rede Amazônia +Conectada tenta enfrentar essa lacuna com conectividade e formação digital em comunidades rurais, onde participantes relatam impactos que vão da aprovação em concurso público à entrada na universidade.

Iniciativa do Grupo +Unidos, o programa já alcançou mais de 2.700 pessoas em 609 domicílios. A atuação combina acesso à internet, cursos de qualificação e acompanhamento pedagógico para que a conexão chegue ao estudo, ao trabalho, ao empreendedorismo e à renda.

Na comunidade São Pedro, Adriane Barbosa dos Anjos, 37, já havia concluído o ensino médio, mas tinha interrompido os estudos. Depois de dois anos nas formações oferecidas pela iniciativa, com cursos de informática básica e avançada, agricultura familiar e gestão de negócios, a moradora se inscreveu em um concurso público municipal e foi aprovada para trabalhar como secretária escolar.

“Eu me inscrevi no concurso público de Juruti e passei para secretária escolar. A informática básica e avançada vai ser muito importante para mim, porque é o que vou precisar muito nesse trabalho agora”, afirma.

A conquista mostra um dos efeitos mais concretos da inclusão digital em territórios onde a qualificação ainda chega com dificuldade. Para Adriane, a formação abriu caminho para estabilidade, renda e autonomia. Antes distante da rotina, a informática passou a ser ferramenta de trabalho.

O impacto também aparece entre os mais jovens. Morador da comunidade Café Torrado, Josiel Melo da Silva, 20, começou a participar do Rede Amazônia +Conectada em 2023, quando recebeu acesso à internet e um notebook para acompanhar os cursos gratuitos. Hoje, está na universidade e usa ferramentas como Word e PowerPoint na rotina acadêmica.

As duas trajetórias ajudam a mostrar como a pauta da conectividade rural vai além da infraestrutura. Em Juruti, a chegada da internet acompanhada de formação tem efeito sobre caminhos diferentes. Para uma mulher adulta, significou qualificação para disputar um concurso público. Para um jovem de 20 anos, apoio para seguir no ensino superior e ampliar o contato com recursos digitais que antes não faziam parte do dia a dia.

Para Daniel Grynberg, diretor executivo do Grupo +Unidos, os relatos mostram que inclusão digital precisa ser tratada como parte do desenvolvimento das comunidades amazônicas.

“Conexão, sozinha, não resolve tudo. Mas, quando ela vem com formação e acompanhamento, muda o lugar que uma pessoa ocupa no mundo. Em Juruti, isso aparece de forma muito concreta. A Adriane transformou o curso em concurso público. O Josiel levou esse acesso para a universidade. É esse tipo de impacto que o projeto busca construir nas comunidades”, afirma.

Em parceria com empresas, organizações governamentais e instituições do terceiro setor, a iniciativa se apoia em uma coalizão intersetorial para ampliar o alcance das ações na região, o Rede Amazônia +Conectada segue ampliando sua atuação em Juruti. A proposta é combinar internet, educação e desenvolvimento local em uma região onde a distância dos centros urbanos ainda limita o acesso a serviços, qualificação e oportunidades de renda.