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As incoerências silenciosas da escola 

As incoerências silenciosas da escola

Não adianta falar de protagonismo ou defender autonomia, se a escola funciona de forma centralizada e o erro não é permitido. A contradição está na prática

Outro dia, em uma conversa de gestores, ouvi algo que me fez pensar. O tema era sobre protagonismo dos estudantes.  Todos concordavam:  “Precisamos formar estudantes mais autônomos, críticos, protagonistas.”  Mas, em seguida alguém comentou: “Precisamos definir os temas dos projetos desse semestre, para facilitar a organização — já que construir isso com os alunos exige mais tempo e esforço.”

Naquele momento, ficou claro: não era falta de intenção. Era incoerência. A escola diz uma coisa, mas quer outra e, no dia a dia, a prática é outra.

Falamos de autonomia, mas, diante da dificuldade, aumentamos o controle. Defendemos protagonismo, mas evitamos abrir espaço de escolha quando isso exige mais trabalho da escola. Queremos criatividade, mas organizamos o tempo, os espaços e os caminhos dentro de uma estrutura rígida, que pouco se abre para decisões reais dos alunos. Queremos pensamento crítico, mas seguimos premiando quem responde certo, e rápido.

E aqui está o ponto central: o aluno aprende muito mais com a experiência que vive do que com o discurso que escuta. Não adianta falar de protagonismo em uma aula se a escola inteira funciona de forma centralizada. Não adianta defender autonomia se o erro não é permitido. A contradição não está na intenção, está na prática.

E, muitas vezes, ela é invisível para quem está dentro. Porque parece normal. Sempre foi assim. Mas, é justamente aí que mora o desafio da gestão – não é criar novos discursos – e, sim, alinhar prática e intenção.

Na prática, isso passa por escolhas simples, e difíceis:

No fim, a pergunta é direta:

A sua escola está formando alunos protagonistas, ou alunos que apenas seguem bem instruções?

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