Alunos levam professores a descobrir novos usos da IA

Alunos levam professores a descobrir novos usos da IA

Em pesquisa, 87% dos participantes consideram que a IA exigirá formação contínua dos professores. Docente da EBAC relata como esse aprendizado acontece na troca com os alunos

      A inteligência artificial exigirá que os professores continuem se atualizando, segundo 87% dos participantes do levantamento publicado em abril de 2026 pela European School Education Platform. A pesquisa reuniu 1.130 respostas, majoritariamente de docentes, de mais de 50 países. Esse aprendizado também acontece na troca com os alunos, como relata Alan Dantas, professor, especialista em design instrucional e diretor da EBAC Business. Com mais de uma década de atuação em educação e tecnologia, ele descobre novos usos da IA ao explorar recursos apresentados pelos estudantes e repensa suas aulas a partir dessa experiência.

“Muitas vezes um aluno chega com uma ferramenta, um prompt ou uma aplicação que eu ainda não tinha testado. Em vez de fingir que o professor precisa saber tudo, dá para investigar aquilo junto com a turma”, conta Alan.

Essa experiência abre uma discussão para o Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, sobre como o aprendizado de quem ensina continua durante as próprias aulas. É uma expressão do lifelong learning, ou aprendizado ao longo da vida, que ganha forma quando o docente explora recursos com os estudantes e incorpora essas descobertas às atividades.

Ao observar como os alunos experimentaram a IA nas aulas de apresentações profissionais, Alan percebeu que precisava rever o exercício. Pedir um texto melhor já não bastava. Passou a explorar as experiências e escolhas por trás de cada apresentação. Nesse formato, a IA pode ajudar a testar versões e simular entrevistas. O aprendizado com a turma levou o professor a mudar sua maneira de ensinar, mantendo o olhar crítico sobre o que a ferramenta produz.

A possibilidade de explorar e aplicar novos recursos também depende do acesso à tecnologia e à formação. Em Juruti, no Pará, o Rede Amazônia +Conectada, realizado pelo Grupo +Unidos, combina conectividade, equipamentos e formação digital em comunidades rurais. A EBAC participa como parceira educacional, com oferta de bolsas de cursos.

Josiel Melo da Silva, de 20 anos, morador da comunidade Café Torrado, participa do programa desde 2023, quando recebeu acesso à internet e um notebook para acompanhar os cursos. Hoje, está na universidade e utiliza ferramentas digitais na sua rotina acadêmica.

Para Alan, acolher as descobertas dos estudantes permite ao professor ampliar seus conhecimentos enquanto orienta a turma. “O professor continua responsável pela qualidade da aprendizagem, mas não precisa ser a única pessoa da sala que descobre coisas novas”, afirma.