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2/04: Dia da Conscientização do Autismo e a necessidade de formação para professores

2/04: Dia da Conscientização do Autismo e a necessidade de formação de professores

O crescimento de alunos com TEA reforça urgência de formação continuada de professores e especialistas defendem preparo contínuo apontando caminhos para uma inclusão mais efetiva nas escolas

O avanço no número de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas brasileiras tem colocado em evidência um desafio central para a educação: como preparar professores para lidar, na prática, com a diversidade em sala de aula. Dados do Censo Escolar 2024, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontam um aumento de 44,4% nas matrículas de alunos com TEA entre 2023 e 2024, na educação básica, passando de 636.202 para 918.877 estudantes diagnosticados. Apesar do crescimento, a inclusão ainda esbarra na falta de formação específica, na sobrecarga docente e na persistência de estigmas.

Por isso, ganham espaço iniciativas voltadas à formação continuada de educadores, com foco em estratégias aplicáveis ao cotidiano escolar. Entre elas, está o curso de extensão universitária TEAR – Linhas da Inclusão: Orientações práticas para apoiar docentes no ensino de estudantes com TEA, promovido de forma 100% on-line pela Viver Editora, do Grupo Multiverso das Letras. A formação reúne contribuições das especialistas Marina Fiuza, Cinthia Leme e do especialista Roberto de Andrade, com o objetivo de oferecer suporte prático a professores diante dos desafios reais da sala de aula.

Para Marina Fiuza, educadora pós-graduada em Neurociências e Psicologia Aplicada, especialista em psicopedagogia e doutora em Literatura e Crítica Literária, a inclusão começa quando o professor entende que não existe um único caminho. “Nosso objetivo é mostrar, na prática, como pequenas adaptações podem fazer uma grande diferença na aprendizagem e no acolhimento de estudantes com TEA”, afirma a especialista.  

Voltado à realidade de turmas diversas e, muitas vezes, com recursos limitados, o curso parte de situações reais vividas por docentes para apresentar conceitos sobre o espectro autista e caminhos possíveis de abordagem pedagógica. A proposta é traduzir o conhecimento teórico em ações concretas, contribuindo para uma prática mais inclusiva e segura.

Segundo os criadores do curso, a proposta é também combater visões simplificadas sobre o autismo. “Embora os critérios diagnósticos sejam definidos, há uma ampla variação nas manifestações do autismo, de modo que nenhuma pessoa autista é exatamente igual a outra. Por isso, também não existe uma única forma predeterminada de lidar com o autismo”, afirma Roberto de Andrade, pós-graduado em Gestão de Pessoas e diagnosticado com autismo nível de suporte um.

Como funciona na prática 

A estrutura do conteúdo foi construída a partir da escuta de professores, incorporando dúvidas recorrentes e dificuldades práticas. Cada módulo tem como ponto de partida uma situação concreta de sala de aula, seguida de explicações teóricas e de sugestões de encaminhamento. O objetivo é desmistificar estereótipos, como a ideia de que pessoas autistas vivem em um “mundo paralelo” ou se encaixam em padrões homogêneos, e ampliar o repertório pedagógico dos docentes.

Para Cinthia Leme, doutora em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem, reconhecer a insegurança faz parte do processo. “Nosso curso oferece informações acessíveis e direcionadas. É possível também se aprofundar com materiais complementares, quando necessário. O professor é insubstituível nesse processo, e buscar apoio especializado também é fundamental”, diz a especialista.

O impacto dessa preparação pode ser determinante na trajetória dos estudantes. Professores mais capacitados conseguem identificar melhor as necessidades dos estudantes e desenvolver estratégias mais eficazes de aprendizagem e acolhimento, especialmente em um ambiente que pode representar desafios adicionais para pessoas com TEA.

Criado a partir da combinação entre experiência profissional e vivências pessoais dos idealizadores, incluindo diagnósticos tardios e relações familiares com o autismo, o curso busca ampliar o acesso a conteúdos qualificados e aplicáveis à rotina escolar.

O lançamento dialoga com o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril e instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007, que tem como objetivo promover a inclusão social e ampliar o acesso à informação sobre o transtorno. No Brasil, cerca de 2,4 milhões de pessoas possuem diagnóstico de autismo, segundo o IBGE, cenário que reforça a urgência de iniciativas voltadas à formação de educadores e à construção de ambientes escolares mais inclusivos.

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