Tendências pedagógicas para 2026 

Tendências pedagógicas para 2026 

Personalização, IA responsável e educação socioemocional devem redefinir a sala de aula neste ano, dentro das tendências pedagógicas

À medida que escolas e redes de ensino se preparam para 2026, especialistas apontam que o próximo ano deve marcar a consolidação de movimentos que já vêm transformando a educação básica brasileira: personalização do ensino orientada por dados, uso qualificado de Inteligência Artificial (IA), fortalecimento das competências socioemocionais e novos modelos de avaliação formativa. 

A diretora pedagógica Christine Lourenço antecipa as tendências que devem pautar o cotidiano pedagógico e as prioridades estratégicas das escolas no novo ciclo.

Nos últimos três anos, o avanço de plataformas adaptativas e sistemas de gestão pedagógica acelerou a transição para modelos mais personalizados. Segundo dados do Inter-American Development Bank (BID), 82% das redes que utilizam dados educacionais com regularidade relatam ganhos de aprendizagem superiores à média nacional. Para 2026, esse movimento deve se intensificar e ganhar mais sofisticação.

“Estamos entrando em uma fase em que a personalização deixa de ser discurso e passa a ser estrutura. As redes que souberem articular dados, trilhas de aprendizagem e tutoria — humana e digital — terão mais precisão para ajustar ritmo, percurso e necessidade de cada estudante. E isso está completamente conectado ao avanço da Inteligência Artificial, tanto como ferramenta integrada ao currículo quanto como campo de estudo em si,” afirma.

Personalização orientada por dados consolida-se como eixo central

A personalização segue como uma das tendências mais determinantes para o próximo ano. Em 2025, escolas brasileiras avançaram na utilização de plataformas adaptativas e no cruzamento de dados de avaliações formativas, o que já permite percursos diferenciados dentro da mesma turma, redução de conteúdos redundantes e reforço focalizado.

Outro movimento em expansão é a tutoria baseada em dados, que cresce em redes que buscam oferecer apoio sistemático ao estudante. O desafio, porém, permanece: desigualdade de acesso tecnológico e formação docente em análise de dados ainda limitam a escalabilidade do modelo no Brasil.

IA ganha espaço como disciplina, ferramenta pedagógica e apoio docente

Em 2026, a Inteligência Artificial deve se consolidar em três frentes:

  • Ferramenta pedagógica: correção de redações com IA, plataformas adaptativas mais avançadas e exercícios personalizados;
  • Tutoria direta ao aluno: uso crescente de soluções como Chat GPT para estudantes e Khanmigo;
  • Letramento digital e IA como conteúdo curricular: ensino estruturado para que os alunos compreendam conceitos, limites éticos, privacidade e aplicações responsáveis.

“A discussão sobre IA deixou de ser técnica para se tornar pedagógica. Não é apenas sobre ter tecnologia, mas sobre integrar esse recurso ao currículo, às práticas avaliativas, aos projetos e à formação docente com intencionalidade. A escola que dominar essa integração dará um salto de qualidade,” completa Christine.

Competências socioemocionais: o desafio agora é mensurar e escalar

A pauta socioemocional continuará em destaque em 2026, mas com uma mudança importante. As redes buscam agora estratégias para medir impacto, integrar a temática às rotinas de sala de aula e fortalecer o projeto de vida como componente curricular. 

Estudos da UNESCO mostram que o desenvolvimento socioemocional tem impacto direto de até 11% no desempenho acadêmico, reforçando sua relevância pedagógica.

Os desafios do próximo ano incluem: escalar a abordagem para além de oficinas pontuais; integrar práticas socioemocionais de forma transcurricular e formar professores sem sobrecarregá-los emocionalmente.

Avaliação contínua substitui protagonismo das provas somativas

A avaliação deixa de ser “a linha de chegada” e passa a ser parte do processo.

Portfólios digitais, rubricas por competências, avaliações autênticas e diagnósticos periódicos (checkpoints) devem ganhar força em 2026, guiando intervenções mais precisas ao longo do ano letivo. Ao mesmo tempo, avaliações somativas permanecem importantes para registrar resultados e acompanhar marcos de aprendizagem, especialmente em redes que trabalham com escala.

Metodologias ativas avançam: PBL, ensino híbrido intencional e rotas diferenciadas

Entre as metodologias ativas que devem ganhar relevância estão:

  • Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL), pela capacidade de conectar competências e avaliar processos;
  • Rotas diferenciadas como estações e learning labs;
  • Ensino híbrido orientado por dados, combinando prática online diagnóstica com atividades presenciais focadas em aplicação, discussão e interação. O modelo híbrido, portanto, não desaparece; ele se torna mais estratégico.

Formação docente será decisiva para 2026

A formação dos professores precisa acompanhar esse cenário de evolução acelerada. As prioridades do próximo ano incluem: uso pedagógico de dados e IA; diferenciação e personalização em sala; estratégias de avaliação contínua e feedback qualificado; e saúde mental docente e prevenção do burnout.

O que 2025 ensinou

Para a educadora, 2025 evidenciou dois aprendizados centrais: a urgência de políticas públicas coordenadas nas áreas de acesso à tecnologia, regulação de IA e formação docente; e a necessidade de integrar inovação com equidade, garantindo que tecnologia, infraestrutura e apoio pedagógico avancem juntos.

“Não existe inovação pedagógica sem equidade. A tecnologia só gera impacto real quando chega com formação, orientação e infraestrutura. 2026 será o ano em que veremos quem conseguiu equilibrar esses três pilares,” finaliza Christine.