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Tecnologia e inclusão ganham espaço na Bett Brasil com solução voltada a alunos neurodivergentes

Tecnologia e inclusão ganham espaço na Bett Brasil com solução voltada a alunos neurodivergentes

Startup paraense NeuroIdentify leva à Bett Brasil uma plataforma que ajuda professores a identificar sinais de neurodivergência e adaptar práticas pedagógicas na sala de aula

A discussão sobre inclusão nas escolas brasileiras vem ganhando novas camadas, especialmente com o avanço de tecnologias que permitem personalizar o processo de aprendizagem.

É nesse contexto que a NeuroIdentify, startup fundada em Belém (PA), em 2024, participa da Bett Brasil, principal evento de inovação e tecnologia educacional da América Latina.

A empresa desenvolveu uma plataforma que apoia professores na identificação de sinais de neurodivergência e na adaptação de práticas pedagógicas no dia a dia. A proposta é simples, mas pouco explorada na prática: ajudar a transformar o discurso de inclusão em ações concretas dentro da sala de aula.

“Estamos com uma perspectiva muito boa para a Bett este ano, tanto no quesito de apresentar a solução para escolas e redes de ensino, quanto na possibilidade de construir parcerias com outras startups e ampliar nossa atuação”, afirma Gleyson Santos, fundador e CEO da empresa.

Da experiência pessoal à solução educacional

A NeuroIdentify nasceu a partir da trajetória do próprio Gleyson, que descobriu o TDAH aos 19 anos, já na faculdade. A partir dessa experiência, decidiu desenvolver uma solução que ajudasse outros alunos a não passarem pelo mesmo processo de adaptação tardia.

Ao lado dos sócios Marcus Monteiro (COO), David Cabral (CTO), Matheus Cardoso (head de administração) e Danilo Castro (head de tecnologia), a startup estruturou uma tecnologia que observa padrões de comportamento e aprendizagem e sugere caminhos pedagógicos para os professores, funcionando como um apoio prático à tomada de decisão em sala.

Aplicação prática em diferentes contextos

A solução já foi testada em ambientes distintos, como na Escola São Rafael, em Belém, onde um piloto com crianças de 4 e 5 anos indicou melhora no engajamento e na frequência dos alunos, e em iniciativas educacionais em Canoas (RS), em contextos de maior vulnerabilidade social.

A solução também vem sendo aplicada na Nova Atmosphera, tradicional organização da sociedade civil (OSC) de Belo Horizonte (MG), que atua há mais de 90 anos com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Nesse contexto, a plataforma contribui para apoiar educadores na construção de estratégias pedagógicas mais inclusivas, respeitando diferentes ritmos e formas de aprendizagem.

Esses testes ajudam a mostrar um dos principais desafios da educação atual: a dificuldade de estruturar práticas inclusivas no cotidiano escolar, mesmo com o avanço de outras inovações

Foco em escala e redes de ensino

Neste momento, a NeuroIdentify direciona seus esforços para ampliar sua presença no mercado educacional, com foco em parcerias com escolas e redes de ensino.

Mais do que captação de investimento, o objetivo da empresa é escalar o impacto da solução e contribuir para uma educação mais adaptável à diversidade dos alunos.

Abril Azul e o avanço da pauta de neurodivergência

O tema ganha ainda mais relevância em abril, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), cujo marco é o dia 2.

A data reforça a necessidade de ampliar o debate sobre neurodivergência nas escolas, especialmente em um cenário em que tecnologias educacionais avançam rapidamente, mas ainda nem sempre conseguem responder às diferentes formas de aprendizagem dos alunos.

Tendências recentes da educação apontam justamente para a personalização do ensino e o uso de dados como caminhos para melhorar o desempenho e o engajamento escolar.

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