Ícone do site Educação & Tendências l Onde o presente da educação encontra o futuro

Professora paranaense usa a IA para lecionar, reduz tempo de trabalho e aumenta o engajamento dos alunos

Professora paranaense usa a IA para lecionar, reduz tempo de trabalho e aumenta o engajamento dos alunos

Dados recentes de uma pesquisa realizada pela Teachy, maior IA pedagógica do mundo, mostram que mais de 70% dos docentes que incorporaram IA relatam aumento no engajamento dos alunos e 67% enxergam um impacto mais pronunciado entre os que têm mais dificuldade

A preparação para o vestibular no Brasil está passando por uma mudança silenciosa, e ela começa pela mesa do professor. Em meio a jornadas extensas, turmas heterogêneas e pressão por resultados, docentes do ensino médio têm recorrido à inteligência artificial para dar conta de uma equação cada vez mais difícil: ensinar melhor, com menos tempo.

Elisangela Faxina Lourenço de Souza, 38, professora paranaense que utiliza a palataforma da Teachy em seu dia a dia

“O aluno, com a IA e matérias específicas, como a de Empreendedorismo, por exemplo, aprende a analisar problemas, pensar em soluções e justificar suas escolhas. Isso tem tudo a ver com o que o vestibular cobra hoje, principalmente interpretação e resolução de situações mais complexas. Eles começam a pensar mais, argumentar melhor e não ficam só decorando conteúdo”, afirma Elisangela Faxina Lourenço de Souza, 38, professora paranaense, que leciona Matemática e Empreendedorismo há 16 anos.

Dados recentes ajudam a explicar esse movimento. Segundo a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômic), coordenada no Brasil pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), professores da educação básica no Brasil trabalham, em média, 25 horas semanais a mais do que o previsto em sala de aula. Vale destacar que os docentes brasileiros trabalham 6 horas a mais do que a média dos professores de países pesquisados, somando planejamento, correções e atividades extraclasse. 

Já o PISA, coordenado pela OCDE, mostra que estudantes brasileiros têm desempenho abaixo da média em leitura, matemática e ciências, o que aumenta a pressão sobre escolas e docentes na preparação para exames como o Enem. Para se ter ideia, segundo indicador da OCDE, até alunos mais ricos no Brasil estão abaixo da média global em Matemática.

A média do Brasil em Matemática foi de 379 pontos, 93 abaixo da média da OCDE de 472 pontos. Em leitura, tivemos 410 pontos, 66 abaixo da média; em ciências, com 403 pontos, o resultado brasileiro ficou 82 pontos abaixo da média de 485, conforme os dados divulgado pelo INEP, no último PISA, realizado em 2022.

Nesse cenário, a inteligência artificial começa a ocupar um espaço antes inimaginável: o de assistente pedagógico.

Dados recentes de uma pesquisa realizada pela Teachy, maior IA pedagógica do mundo, mostram que mais de 70% dos docentes que incorporaram IA relatam aumento no engajamento dos alunos e 67% enxergam um impacto mais pronunciado entre os que têm mais dificuldade. A explicação é simples: quando o professor tem menos tarefas operacionais para dar conta, ele tem mais presença para oferecer.

“A IA ajuda muito a organizar e acompanhar o progresso dos alunos. Dá para adaptar atividades conforme o nível de cada um e ver onde estão as dificuldades. Isso facilita porque o professor consegue dar uma atenção mais direcionada. Além disso, dá para propor atividades mais colaborativas, onde os alunos usam a tecnologia juntos para resolver desafios, trocar ideias e construir projetos em grupo.”, ressalta Elisangela, que faz uso da Teachy há 1 ano.

Ela está entre os docentes que passaram a utilizar plataformas como a Teachy no dia a dia. Com apoio de IA é possível criar atividades personalizadas, corrigir exercícios automaticamente e acompanhar o desempenho dos alunos em tempo real.

“Na minha experiência, a IA é uma ferramenta valiosa pois empodera o aluno, colocando-o no controle da sua própria aprendizagem. Isso porque ele pode pesquisar ideias, testar soluções e até simular situações reais de negócio, isso desenvolve autonomia.  Além disso, auxilia  na resolução de problemas, já que a IA pode sugerir caminhos e o aluno vai avaliando o que faz sentido. E o pensamento criativo cresce porque eles conseguem explorar e adaptar várias ideias rapidamente”, complementa a professora.

Menos operacional, mais foco no aluno

A principal mudança relatada por professores é a redistribuição do tempo. Em vez de concentrar esforços em tarefas repetitivas, como elaboração de provas e correção manual, os docentes passam a atuar de forma mais estratégica.

Um relatório da UNESCO sobre o uso de tecnologia na educação aponta que ferramentas digitais, incluindo IA, podem reduzir significativamente o tempo gasto com atividades administrativas e ampliar a capacidade de personalização do ensino, um dos principais desafios em salas de aula numerosas.

No Brasil, onde é comum encontrar turmas com mais de 30 alunos, essa personalização sempre foi limitada. “A IA aumenta muito o engajamento e interesse por parte dos alunos. Já realizei atividade prática de criação de logomarcas e slogans para uma empresa fictícia. Os alunos criaram manualmente e depois, com ajuda da IA, analisaram o que estava bom e o que podia ser melhorado. A cada sugestão eles modificavam e finalizavam a logo de forma digital. Ao final, realizamos uma apresentação para a turma e foi nítido como eles se divertiram e sonharam com o futuro durante a atividade.”, diz Elisangela.

Além da otimização do tempo, professores relatam melhora no desempenho dos alunos, especialmente, em habilidades exigidas no vestibular, como interpretação de texto e resolução de problemas.

De acordo com o último ciclo do PISA (2022), quase metade dos estudantes brasileiros não atinge o nível básico de proficiência em leitura. Para especialistas, o uso orientado de IA pode ajudar a enfrentar esse déficit ao oferecer feedback imediato e exercícios adaptativos.

“Quando o aluno recebe retorno na hora, ele aprende mais rápido. E isso é crucial para quem está se preparando para provas concorridas e de alta performance”, afirma Pedro Siciliano, especialista em IA para a Educação e CEO e fundador da Teachy, plataforma de inteligência artificial voltada para apoiar professores e escolas na criação de conteúdos educacionais, planejamento de aulas e personalização do aprendizado, com soluções tecnológicas que ajudam educadores a ganhar produtividade e melhorar a experiência de aprendizagem dos estudantes.

O risco do uso sem orientação

Apesar dos benefícios, professores alertam para os riscos do uso indiscriminado da tecnologia. O principal deles é a dependência.

“Se o aluno usa a IA apenas para obter respostas prontas, ele deixa de desenvolver o raciocínio. A tecnologia precisa ser mediada”, diz Siciliano.

A preocupação é compartilhada por especialistas. A UNESCO ressalta que o uso de inteligência artificial na educação deve ser acompanhado de orientação pedagógica clara, para evitar superficialidade no aprendizado e garantir o desenvolvimento de habilidades críticas.

Formação docente ainda é desafio

Outro entrave para a adoção mais ampla da IA nas escolas é a formação dos professores. Muitos ainda não receberam treinamento específico para utilizar essas ferramentas de forma eficaz.

No Brasil, iniciativas ainda são pontuais e concentradas em redes privadas. Isso aprofunda desigualdades já existentes no sistema educacional, um ponto sensível em um país onde, segundo o INEP, a diferença de desempenho entre alunos de escolas públicas e privadas segue significativa.

Uma mudança que veio para ficar

Apesar dos desafios, o uso de inteligência artificial por professores tende a crescer. Para muitos, não se trata mais de uma escolha, mas de uma adaptação necessária.

“A gente não tem mais como ignorar. A IA não substitui o professor, mas amplia o que ele pode fazer”, diz Pedro.

Na prática, isso significa um novo papel em sala de aula: menos foco na transmissão de conteúdo e mais na mediação do aprendizado, especialmente, em um momento em que o vestibular exige, cada vez mais, interpretação, autonomia e pensamento crítico.E, nesse cenário, a tecnologia pode deixar de ser vista como ameaça para se tornar uma aliada, não apenas dos alunos, mas, principalmente, de quem está na linha de frente do ensino.

Sair da versão mobile