Colégio Santo Anjo, que atende do Maternal ao Ensino Médio no Paraná, desenvolveu metodologia para uso ético, crítico e inclusivo da tecnologia em sala de aula
A inteligência artificial passou a ocupar espaço concreto no ambiente escolar. O que antes era visto como inovação distante, hoje faz parte da rotina de estudantes e professores, seja na pesquisa de conteúdos, na organização de cronogramas de estudo ou no planejamento pedagógico.
No Brasil, a presença da tecnologia entre alunos já é mensurável. A 15ª edição da pesquisa TIC Educação, pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), aponta que sete em cada dez estudantes do Ensino Médio recorrem a ferramentas de IA generativa para apoiar pesquisas e atividades escolares. O dado revela que a discussão sobre o uso da tecnologia na aprendizagem não é mais hipotética, mas parte do cotidiano educacional.
Metodologia ativa e formação crítica
No Colégio Santo Anjo, que atende cerca de 3 mil alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, o uso da inteligência artificial é estruturado dentro de uma proposta pedagógica definida por idade e maturidade dos alunos. A instituição criou uma atividade extracurricular para alunos de 9 a 14 anos que combina IA e empreendedorismo, com foco em aprendizagem baseada em projetos.
Segundo Heloisa Ferraro Severino, assessora pedagógica da instituição, a proposta vai além do domínio técnico. “Trabalhamos habilidades importantes, como senso crítico, versatilidade, trabalho em equipe e oratória. A ideia é que a criança possa ser um agente de soluções para o futuro, independentemente da profissão que escolher”, explica.
A metodologia é multidisciplinar e ativa. Os alunos mais novos desenvolvem produtos com apoio de ferramentas de IA. Já os mais velhos assumem o desafio de criar uma empresa, estruturando departamentos e planejando soluções inovadoras. Ao final do ano, os projetos são apresentados em uma feira de IA aberta à comunidade escolar.
Uso responsável e orientação pedagógica
A ampliação do uso da tecnologia é acompanhada de orientação sistemática. Para Heloisa, a inteligência artificial deve ser incorporada com critérios claros. “Se as ferramentas não forem bem utilizadas, elas não vão trazer resultados satisfatórios. Assim como em pesquisas em sites de busca, podem trazer respostas erradas. É preciso verificar sempre”, alerta.
A escola orienta os estudantes a utilizar a IA como instrumento de aprendizagem, e não como substituição do esforço intelectual. Entre as práticas sugeridas, estão prompts estruturados para treinar para provas com correção comentada, transformar conteúdos complexos em atividades de estudo ativo e criar calendários personalizados com revisões e simulados.
O corpo docente também utiliza a tecnologia no planejamento de aulas, elaboração de questões, produção de materiais didáticos e apoio na correção de redações. A integração ocorre de forma alinhada à proposta pedagógica da instituição.
Aprendizado mais dinâmico e personalizado
Entre os estudantes, a inteligência artificial tem sido utilizada como ferramenta de apoio e aprofundamento. A aluna Maria Luiza Ramirez, de 13 anos, criou uma “entrevista” com Napoleão Bonaparte para estudar a Revolução Francesa. A estratégia tornou o conteúdo mais interativo. “A IA pode deixar o estudo muito mais dinâmico e divertido. Pode ajudar muito nas questões, principalmente transformando nossa maneira de ver textos, como uma assistente”, afirma.
A colega Penélope Corrêa Filipak também utiliza a tecnologia como reforço personalizado. “A IA pode explicar conteúdos de formas diferentes. Existe um modo professor na ferramenta, que me explica a matéria e me auxilia nos estudos”, relata. Além do uso individual, ela participa de um curso extracurricular de inteligência artificial e já aprendeu a criar assistentes personalizados e ferramentas de imagem, vídeo e áudio.
Esses exemplos ilustram uma mudança na forma como os estudantes interagem com o conhecimento. A IA passa a funcionar como mediadora do aprendizado, oferecendo explicações alternativas, simulando diálogos históricos, propondo exercícios e organizando rotinas de estudo.
Especialistas em educação apontam que o desafio atual não é impedir o uso da inteligência artificial, mas qualificá-lo. Ao incorporar a tecnologia com intencionalidade pedagógica, foco em pensamento crítico e estímulo à autonomia, as escolas começam a redefinir a relação entre tecnologia e aprendizagem.
No cotidiano das salas de aula, a inteligência artificial deixa de ser apenas ferramenta digital e passa a integrar processos formativos, ampliando possibilidades, desde que acompanhada de orientação e responsabilidade.
Com 44 anos, Rafael Gmeiner é jornalista especialista em Produção de Conteúdo, especializado em Franquias, CEO da Agência VitalCom, do site Mundo das Franquias e do site Educação & Tendências. Atua há mais de 23 anos, com Jornalismo e Comunicação, tendo passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites. Também, é especialista em Assessoria de Imprensa, segmento em que já atua há quase duas décadas. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores. Há mais de 10 anos é especializado no setor de Franquias, no qual mantém o seu site de notícias. Além disso, é sócio de uma franqueadora. Entre os seus parceiros e clientes atuais estão a reconhecida jornalista Analice Nicolau; Mônica Lobenschuss, especialista em Growth Hacking, Estratégias de Negócios e Mídias digitais; e a rede de franquia Face Doctor. Rafael também já prestou serviços para o governo da Argentina, com ações específicas no Brasil.

