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Fórum em Macaé debate como usar a inteligência artificial na escola sem perder a dimensão humana da educação

Foto Jaqueline Oliver_Fórum em Macaé debate como usar a inteligência artificial na escola sem perder a dimensão humana da educação

Foto Jaqueline Oliver

Em sua 14ª edição, encontro da Orientação Educacional reuniu profissionais de diversos municípios fluminenses para discutir ética, competências socioemocionais e o futuro do trabalho na era da IA

A inteligência artificial já faz parte da rotina de estudantes e professores, mas sua chegada às escolas levanta uma questão cada vez mais urgente: como aproveitar o potencial dessas ferramentas sem enfraquecer a escuta, o acolhimento e os vínculos que sustentam o processo educativo? Esse foi o eixo central do XIV Fórum da Orientação Educacional de Macaé, realizado nesta terça-feira (20), no auditório Cláudio Ulpiano, na Cidade Universitária do município.

O evento foi promovido pela Secretaria Municipal de Educação, por meio da Superintendência Pedagógica e da Coordenadoria de Orientação Educacional, e reuniu orientadores educacionais e outros profissionais da rede pública em um dia de palestras, debates e apresentações culturais. Além das equipes de Macaé, participaram representantes de Nova Friburgo, Maricá, Quissamã, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes e Rio das Ostras.

Tecnologia com responsabilidade

Sob o tema “Orientação Educacional, Inteligência Artificial e humanização das relações na escola”, o fórum propôs uma reflexão sobre a incorporação das novas tecnologias às práticas pedagógicas. Entre os assuntos discutidos estiveram o uso ético, crítico e responsável da IA, o desenvolvimento da inteligência socioemocional, a preparação dos jovens para o mundo do trabalho e o papel do diálogo na construção de relações de confiança dentro da escola.

O secretário municipal de Educação, Matias Mendes, reconheceu que a inteligência artificial é um recurso necessário, mas ponderou que ela deve ser explorada com cautela. Segundo ele, os orientadores educacionais conhecem de perto a realidade de alunos, famílias e profissionais, e esse conhecimento exige manter o acolhimento como prioridade. Para o secretário, educar envolve também aprender a ouvir, uma habilidade que pode se perder em meio ao excesso de tecnologia. “A tecnologia não consegue ter a sensibilidade que nós temos”, afirmou.

A superintendente pedagógica, Balade Ayala, chamou atenção para a diferença entre a capacidade das máquinas de processar dados e a complexidade do pensamento humano. Ao citar reflexões do linguista Noam Chomsky sobre o tema, ela ressaltou o valor da criatividade, da interpretação e dos saberes subjetivos. Na avaliação da superintendente, o grande desafio atual é de natureza ética e passa por uma educação baseada no pertencimento e na humanização.

Presença que nenhuma ferramenta substitui

Durante o encontro, os participantes discutiram limites e possibilidades da IA em sala de aula, considerando dimensões que vão além do desempenho acadêmico. A escuta qualificada, a atenção às necessidades dos estudantes e a mediação de conflitos foram apontadas como pilares do desenvolvimento integral dos alunos.

As coordenadoras da Orientação Educacional, Andréa Carvalho e Rosinéa Chaves, defenderam que acompanhar as transformações tecnológicas exige postura crítica dos educadores. Para elas, a tecnologia pode ampliar possibilidades e apoiar o trabalho pedagógico, mas jamais ocupará o lugar da presença, do acolhimento e dos vínculos construídos entre pessoas. As coordenadoras destacaram ainda o papel estratégico da Orientação Educacional na mediação das relações escolares e na busca por práticas que unam inovação e humanização.

Programação

A parte formativa do fórum incluiu a palestra “Em tempos de Inteligência Artificial, como desenvolver a nossa Inteligência Socioemocional?”, ministrada por Renata Reis Magalhães, que tratou da importância das competências emocionais diante das mudanças tecnológicas e dos desafios das relações contemporâneas.

Jefferson Manhães de Azevedo apresentou o tema “Educação e Mundo do Trabalho na Era da IA”, com foco nos impactos da tecnologia sobre a formação profissional e as perspectivas de carreira das novas gerações.

O público também conheceu o projeto “Recalculando a Rota: A arte do encontro e do diálogo para a descoberta dos novos caminhos na Correção de Fluxo”, desenvolvido na Escola Municipal Professora Neuza Maria de Almeida e apresentado com a participação de Anderson Peixoto dos Santos. A iniciativa mostrou como o diálogo e estratégias de acompanhamento individual podem ajudar estudantes com defasagem entre idade e série. Encerrando as atividades formativas, Fabiana Nagib conduziu a palestra “Entre a Raiz e a Flor: O Tempo”, dedicada aos processos humanos e educativos.

A arte também ganhou espaço no evento, com o espetáculo “Viva Mulher”, da Escola Municipal Olga Benário Prestes, e a apresentação do coral “Canto Livre”.

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