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Educação para quê: formar para o “mercado de trabalho” ou “formar para ser humano”?

Educação para quê formar para o “mercado de trabalho” ou “formar para ser humano

Entre a prova e a vida real, uma pergunta atravessa décadas de educação e o que o mercado pede não é menos humanidade, é mais dela

Certamente, você professor ou gestor já deve ter ouvido de algum ou alguns alunos a clássica pergunta “isso cai na prova?” ou “pra que eu preciso aprender isso”?  Por trás destas perguntas está a mesma dúvida que atravessa a educação há décadas. Que seres humanos desejamos formar realmente?

A pergunta parece exigir escolha. Mas, talvez, ela esteja mal formulada desde o início.

O que precisamos questionar?

Quando olhamos para o mercado de trabalho e para a vida, há uma grande ironia que ainda é muito pouco discutida com nossos jovens. O que a vida e o mercado de trabalho estão pedindo de nós e vão pedir deles? O que faz sentido? A resposta clara e real não é “mais técnica, mais conhecimento, menos humanidade”. É justamente o contrário.

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, ouviu mais de mil empregadores em 55 países e concluiu que o pensamento analítico segue como a competência mais valorizada pelas empresas pela terceira edição consecutiva. Entretanto, em seguida, vêm resiliência, flexibilidade e liderança. Já habilidades como leitura, escrita, matemática pura e atenção mecânica a detalhes estão entre as que mais perdem relevância no mercado de trabalho. Justamente o que currículos tradicionais teimam em treinar e cobrar isoladamente

Além disso, um dado que deveria assombrar as salas de aula é que quase 39% das competências técnicas consideradas essenciais hoje devem estar obsoletas até 2030. Estamos correndo contra o relógio em um mundo que carece de olhares sensíveis, ética, escuta e criação de sentido, pois a técnica pode sempre ser aprendida e automatizada. Inclusive, pela inteligência artificial. 

O que fica é o que sempre foi, no fundo, mais difícil de ensinar, pois depende dos ambientes em que o estudante está inserido e não somente da escola.

Por isso, educar com sentido exige ir além do conteúdo. Exige olhar para o estudante inteiro e para a família que o sustenta. Essa aproximação não pode ser feita de reuniões protocolares uma vez por bimestre: precisa ser real, contínua, consistente. Só assim se constrói uma sociedade em que todos, sem exceção, sejam considerados e acolhidos na aprendizagem.

Formar para a vida e para o traballho

Dito isso, “formar para a vida” também se torna um privilégio. E, talvez, fosse fácil parar por aqui e concluir, com certo alívio moral, que a escola deveria simplesmente abandonar um dos lados. Entretanto, não podemos escolher um lado, nem buscar um meio-termo tímido entre os dois. 

Formar para o trabalho é essencial. O trabalho representa dignidade,  autonomia e a possibilidade de construir um futuro com mais estabilidade. Para muitos jovens, é também o que dá sentido ao esforço de continuar estudando.

Mas educar para o trabalho não pode significar apenas ensinar competências técnicas.  Precisamos formar pessoas que saibam fazer, mas que também compreendam por que fazem, para quem fazem, como fazem e, sobretudo, o que jamais estariam dispostas a fazer.

Existe uma fórmula para isso? Não. Existem caminhos. Uma educação que desenvolva conhecimento, pensamento crítico, ética, responsabilidade e humanidade. Afinal, o mercado precisa de profissionais competentes, mas a sociedade precisa, acima de tudo, de pessoas íntegras.

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