ChildFund completa 60 anos no Brasil e realiza sua primeira noite de gala, em Belo Horizonte

ChildFund completa 60 anos no Brasil e realiza sua primeira noite de gala, em Belo Horizonte

Organização que alcança 6,9 milhões de pessoas por ano, enfrenta uma nova fronteira: a violência digital contra crianças e adolescentes

Em 1966, o ChildFund chegava ao Brasil para atuar no combate à fome e à desnutrição infantil. Hoje, com seis décadas de atuação pela promoção e defesa dos direitos infantojuvenis, a organização soma números expressivos. Em 2025 foram cerca de 140 mil crianças e adolescentes impactadas no país. Além disso, segundo avaliação de impacto por meio do protocolo SROI, o trabalho da ChildFund gera mais de R$ 7 em valor social para cada R$ 1 investido.

Para celebrar os 60 anos, o ChildFund realiza no dia 2 de setembro sua primeira noite de gala, no Automóvel Clube de Belo Horizonte. O evento reunirá cerca de 120 convidados, entre eles CEOs, lideranças empresariais de Minas Gerais e do Brasil, investidores sociais, Influenciadores, jornalistas e personalidades alinhados às pautas de infância, educação, desenvolvimento social. Já na entrada, os convidados poderão experienciar uma galeria imersiva que percorre as seis décadas de atuação da instituição, com acervo fotográfico desde 1960.

“Há 60 anos, o ChildFund Brasil atua com um propósito que permanece o mesmo desde 1966: proteger crianças para que seus direitos sejam garantidos e elas possam crescer com segurança, dignidade e oportunidades. Ao celebrarmos essa trajetória, reafirmamos nosso compromisso de fortalecer famílias, apoiar comunidades e promover ambientes protetivos onde cada criança seja respeitada, ouvida e tenha condições de desenvolver todo o seu potencial”, afirma Maurício Cunha, presidente executivo da organização.

A noite terá leilão beneficente das obras produzidas por crianças e adolescentes atendidos pela organização, e uma pintura criada ao vivo durante o evento pelo artista DAN. A programação musical fica por conta do grupo BatukaLata e da Orquestra do Grupo Sinfonia. Os recursos são destinados a dois eixos: superação da pobreza e proteção contra violência e abuso sexual infantil.

Uma história de compromisso com o hoje e o amanhã

No início de sua atuação no Brasil, o trabalho do ChildFund era de sobrevivência: reduzir mortalidade e desnutrição infantil, garantir água potável, construir creches, formar educadores. Ainda que alguns desses temas permaneçam relevantes, seis décadas depois o mapa da vulnerabilidade infantojuvenil se expandiu e o papel da organização também. Hoje, o ChildFund está à frente de debates importantes no Legislativo e contribuiu com dados para o debate que resultou no ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), sancionado em setembro de 2025 e em vigor desde 17 de março de 2026.

O Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade de Adolescentes Brasileiros na Internet, realizado pela instituição em 2025 com cerca de 8.500 adolescentes de 13 a 18 anos de todas as regiões do país, identificou que 54% dos adolescentes brasileiros já sofreram violência sexual na internet.

“Utilizamos uma metodologia de escuta que permitiu que eles falassem sobre seus sentimentos e percepções”, afirma Maurício Cunha, presidente executivo do ChildFund Brasil, sobre o estudo. A pesquisa revelou ainda um dado que ajuda a explicar a subnotificação do problema: 94% dos adolescentes afirmam não saber como proceder diante de situações de risco de violência, e a reação mais comum é bloquear o perfil suspeito, em vez de denunciar.

Outro dado que preocupa a organização é que 55% dos adolescentes que relataram interação com estranhos suspeitos na internet dizem que ela aconteceu em aplicativos de mensagem como WhatsApp e Telegram. Ou seja, o risco sai de um lugar em que os adultos imaginam controlar (redes sociais abertas, jogos, fóruns), para dentro do canal privado, criptografado e cotidiano da família.

Por isso, a instituição defende a inclusão de letramento digital em políticas públicas para aumentar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual. “Não é apenas instruir esses públicos acerca de ferramentas ou softwares, mas de ensiná-los a como denunciar casos de violência on-line e de se proteger na internet, como não compartilhar fotos ou informações confidenciais em chats ou aplicativos de mensagens”, afirma Águeda Barreto, especialista sênior em advocacy da organização. 

Essa convicção se traduz em uma frente de educação construída em parceria com o poder público. O Safe Child – Escola de Proteção Digital, curso gratuito desenvolvido pelo ChildFund para ensinar navegação segura a crianças, adolescentes, famílias e profissionais da rede de proteção, já foi implementado com os governos do Distrito Federal e do Paraná e com prefeituras de Macapá (AP), Belo Horizonte (MG) e Vitória da Conquista (BA).

O diagnóstico também foi a base do programa Navegando Seguros, executado em parceria com o ChildFund Austrália, que combina três frentes: educação digital para famílias, professores e educadores sociais; advocacy junto ao Congresso Nacional (que resultou na aprovação do ECA Digital); e tecnologia, com a versão brasileira do aplicativo SwipeSafe. A meta é alcançar mais de 35 mil crianças, adolescentes e jovens em 57 municípios. “É importante que as famílias também aprendam, para saberem ensinar”, resume Maurício Cunha.