Publicação, lançada pelo Cenpec e pelo Instituto Phi, reúne evidências e práticas para fortalecer a gestão escolar em uma das etapas que mais sofrem com as desigualdades educacionais
A passagem dos anos iniciais para os anos finais do Ensino Fundamental marca uma mudança relevante na trajetória escolar dos estudantes. Nesse período, ampliam-se os componentes curriculares, diversificam-se os tempos e espaços de aprendizagem e os estudantes passam a conviver com diferentes professores especialistas. Essas mudanças ocorrem simultaneamente a outro momento decisivo – a transição da infância para a adolescência – produzindo impactos diretos no desempenho escolar, na autoconfiança e no senso de pertencimento dos meninos e meninas à escola.
É nesse contexto que o Cenpec lança a publicação “Rito de Passagem – Diretrizes para a gestão escolar no atendimento ao período de transição entre os anos iniciais e finais do ensino fundamental”, que reúne evidências, dados educacionais e recomendações práticas para apoiar escolas e redes de ensino no enfrentamento dos desafios dessa etapa.
A publicação tem origem em uma experiência real, realizada em Pradópolis, interior de São Paulo, por meio do projeto Rito de Passagem, uma iniciativa do Cenpec, em parceria com o Instituto Phi. Entre julho e dezembro de 2025, o projeto apoiou diretoras(es) e coordenadoras(es) pedagógicas(os) da rede na organização dos tempos e espaços das escolas para uma transição mais acolhedora e que favoreça a continuidade das aprendizagens.
“O investimento da escola no cuidado ao período de transição não está somente localizado no trabalho do professor. As mudanças necessárias para minimizar a ruptura entre os anos iniciais e os anos finais compreendem tanto questões pedagógicas, como aquelas relacionadas ao clima escolar e à organização institucional. Se queremos contribuir no desenvolvimento de processos mais participativos, acolhedores e inclusivos, com atenção à diversidade e singularidade dos estudantes, precisamos investir no exercício democrático da gestão escolar”, afirma Luciana Franceschini, coordenadora de programas e projetos do Cenpec.
Além da experiência prática, a publicação parte de evidências acadêmicas, marcos normativos da educação básica – como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – para oferecer subsídios que qualifiquem a atuação da gestão escolar.
Tanto essa iniciativa como a publicação dialogam diretamente com o cenário atual das políticas públicas educacionais, especialmente com o programa Escola das Adolescências, do Ministério da Educação (MEC), que busca fortalecer os anos finais do Ensino Fundamental que, historicamente, registra lacunas de políticas e programas voltados aos seus desafios, sobretudo em relação à permanência e à aprendizagem dos estudantes.
“No Phi, acreditamos que apoiar a educação é também fortalecer as pessoas e as redes que a sustentam no dia a dia. Por isso, foi especialmente relevante acompanhar o projeto Rito de Passagem, executado pelo Cenpec em Pradópolis (SP), voltado ao fortalecimento da atuação de gestores escolares na transição entre o Ensino Fundamental I e II. Os resultados evidenciam avanços consistentes na prática da gestão, no trabalho colaborativo em rede, na formação de professores e no uso de dados para apoiar a aprendizagem. Também se destacam ganhos importantes em inclusão e diversidade. Mais do que acompanhar um projeto, o Phi esteve ao lado de uma iniciativa que contribui para construir bases mais sólidas para a permanência e o desenvolvimento dos estudantes”, compartilha Luiza Serpa, Fundadora e Diretora Executiva do Instituto Phi.
Desigualdades educacionais são acirradas nesta etapa de ensino
O material lançado também evidencia que as desigualdades educacionais se aprofundam nessa etapa de transição, afetando de forma mais intensa estudantes em contextos de maior vulnerabilidade social, além de evidenciar desigualdades associadas à raça e gênero.
Entre as principais barreiras que marcam essa transição, está a distorção idade-série. Indicadores educacionais como o Censo Escolar indicam que as taxas de distorção idade-série se elevam de forma significativa na passagem para os anos finais do Ensino Fundamental. É também nessa etapa que a reprovação e a queda no desempenho escolar tendem a se intensificar. Enquanto o Ideb dos anos iniciais foi de 5,7 em 2023, o dos anos finais ficou em 4,7.
Isso reforça que a transição entre etapas não é apenas uma mudança administrativa, mas um ponto de inflexão no percurso educacional, que exige intencionalidade pedagógica e organização para garantir trajetórias escolares de sucesso. Além disso, evidenciam a necessidade de estratégias de gestão alinhadas à educação integral e à promoção da equidade.
Nesse sentido, entre as principais contribuições da publicação, estão orientações para o desenvolvimento de práticas de acolhimento aos estudantes, fortalecimento da formação docente, articulação entre os anos iniciais e finais e ampliação do diálogo com as famílias – elementos fundamentais para estimular o pertencimento e promover o engajamento dos estudantes.
Ao sistematizar práticas e evidências, o Cenpec busca contribuir para que escolas e redes públicas fortaleçam a gestão da transição entre etapas, promovendo experiências escolares mais contínuas, acolhedoras e significativas para estudantes em um momento decisivo de sua trajetória.

Com 44 anos, Rafael Gmeiner é jornalista especialista em Produção de Conteúdo, especializado em Franquias, CEO da Agência VitalCom, do site Mundo das Franquias e do site Educação & Tendências. Atua há mais de 23 anos, com Jornalismo e Comunicação, tendo passagens por jornais impressos, televisão, rádio e sites. Também, é especialista em Assessoria de Imprensa, segmento em que já atua há quase duas décadas. Além disso, é produtor de conteúdo, em especial para o ambiente online, que requer técnicas de SEO, otimização de textos para melhor posicionamento nos buscadores. Há mais de 10 anos é especializado no setor de Franquias, no qual mantém o seu site de notícias. Além disso, é sócio de uma franqueadora. Entre os seus parceiros e clientes atuais estão a reconhecida jornalista Analice Nicolau; Mônica Lobenschuss, especialista em Growth Hacking, Estratégias de Negócios e Mídias digitais; e a rede de franquia Face Doctor. Rafael também já prestou serviços para o governo da Argentina, com ações específicas no Brasil.
