Especialistas alertam para aumento da ansiedade no retorno às aulas

Especialistas alertam para aumento da ansiedade no retorno às aulas

A transição das férias para a rotina escolar tem gerado sinais de estresse e insegurança entre os estudantes, apontam especialistas

O mês de fevereiro marca um dos períodos mais sensíveis para crianças e adolescentes: o retorno à rotina após semanas de férias. Psicólogos e pesquisadores em educação alertam que o início do ano letivo costuma intensificar quadros de ansiedade, principalmente em estudantes que iniciam sua vida escolar, mudam de série ou chegam ao terceirão, que enfrentam novas responsabilidades ou apresentam dificuldade de readaptação.

Estudos recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial da Saúde indicam que os transtornos de ansiedade estão entre as principais queixas emocionais de jovens. No Brasil, profissionais de saúde mental apontam que a mudança brusca de rotina, o retorno a ambientes mais estruturados e a pressão por desempenho, muitas vezes exercidos por si mesmos, contribuem para o aumento desse estresse nas primeiras semanas de aula.

A orientadora educacional, Eliane Chies Variani, destaca que o fato tem se tornado mais evidente nos últimos anos. 

“Percebemos um aumento significativo de estudantes que demonstram insegurança, medo do novo e dificuldade em lidar com frustrações e com as exigências acadêmicas logo no início do ano letivo. Muitas vezes, a ansiedade se manifesta de forma silenciosa, por meio de sintomas físicos ou comportamentais que acabam sendo confundidos com desinteresse ou indisciplina”, afirma.

Entre as recomendações dos especialistas estão a reorganização gradual dos horários de sono, a redução do tempo de telas antes do retorno à escola e conversas abertas sobre inseguranças, expectativas e medos. A criação de espaços de escuta, tanto em casa quanto no ambiente escolar, é considerada fundamental. 

“Quando a criança ou o adolescente se sente acolhido e compreendido, o processo de adaptação tende a ser mais tranquilo. Identificar sinais de alerta também exige atenção: irritabilidade repentina, queixas físicas frequentes, resistência persistente em voltar à escola e mudanças bruscas de comportamento podem indicar dificuldade de adaptação e devem ser observadas com cuidado”, destaca Eliane.

Segundo a orientadora, a parceria entre escola e família é um aspecto essencial nesse processo, afinal, quando ambas caminham juntas, a criança ou o adolescente se sente mais seguro e amparado para enfrentar os desafios da rotina escolar. Entre os pontos de atenção, Eliane ressalta que é importante observar a duração e a intensidade dos sintomas. “Quando os sinais de ansiedade persistem, se intensificam ou começam a impactar o rendimento escolar, as relações sociais ou o bem-estar emocional, é fundamental que a família busque a orientação de um profissional da área da saúde mental. O acompanhamento adequado ajuda a compreender o que está acontecendo e a construir estratégias de cuidado mais efetivas”, completa.

O debate sobre o tema tem crescido entre profissionais da educação, famílias e pesquisadores que analisam os impactos emocionais da rotina escolar pós-pandemia. Apesar de não existir solução única, há consenso de que acolhimento, diálogo e previsibilidade são estratégias que ajudam a tornar o retorno mais leve.